sábado, 24 de setembro de 2011

O BARULHO DA FOLHAGEM

Credo de medo que fede à saudade.
É sim, a saudade é mal cheirosa.
Tem até gosto do cheiro.
Gosto de quando você só sentiu o cheiro,
Mas tem certeza que aquele gosto existe.

Creio estar à pino.
São gritos ao lago de Anita.
Escuta! Vem lá de longe, sorrindo..
Tem até samba no dedo,
Mas nem usa as mãos,
Tem medo de pegar.

A saudade também pega.
Esconde-se,
Passa rápido,
Finge óbito.
Deita ao seu lado,
Oferece-lhe café,
Afaga-se ao travesseiro,
E adormece tranqüila...
Como se a Madrugada
Fosse festa de coruja.

Cordeirópolis; 23 de setembro de 2011.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Palheta de Vidro




O Macaco pintando o Urubu,
Castiga a janelaiada,
Uma a uma ,
Deixando tudo cor de pena.

O pior da sujeira,
São os gritos,
Que distribuem,
Uma saudade aguda,
que abafa a vidraçaiada.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um traço.



Uma escuridão que não mostra nem o desenho das árvores, quando já apagadas no meio a madrugada, é o rastro dos pés que juntos ao breu cativam a noite lapidada pelo que não se vê. Bem perto do mesmo corpo, as mãos, sempre obrigadas a estarem por onde os pés caminham, se esfregam frias, vermelhas, secas do vento que bate também nos cabelos, deixando-o todo desconcertado.

Nem o borrão da maquiagem esconde a luta contra o vento destas pernas, que se locomovem tropeçando uma na outra, trepando nos postes pra levantar dos tombos, pra continuar dos rasgos, pra acreditar nos traços, nos lábios, nos aptos e nos criados.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Expoflora

Jardim em frente ao camarim da Expoflora - Holambra

O cheiro das mãos,
O estrago nos róstos.
A lembrança em cada detalhe.

Um emaranhado de cada sabor,
Que é devolvido à cada primavera,
Escondido à cada uma das outras estações.

O duro é saber o cheiro e o gesto,
Ninguém lembra dos mesmos.
E lá, nem de si mesmo.

Talvez, estes, sejam os dezenove.
Dias mais cheirosos do ano.

Cordeirópolis; 07 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

Pedaço de Pão

Van Gogh


As solas se arrastam cansadas
Olha, que áspero.
Sente, que vespeiro.


Canta, chuva!
Chove, menina!
Se esconde, sapato!.


Nem estende a mão, 
Endereço amargo. 
O carteiro olha silenciado.

BOLOR

Van Gogh



Minhas mãos se sujam,
Ainda do que escorre 
Por rostos quebrados.


Pedaços de unhas
São lascados
Pelo tamanho do desapego.


Cada pedacinho deste olho
Escorre salivado
Por teu cheiro, amor.


Se não os meus pedaços 
Por vezes.
E ainda meus olhos.




Cordeirópolis; 24 de abril de 2011.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

No Braço do Sofá



Seis Horas da Tarde.
Ficar sem falar nada.
Nem dar uma palavrinha.
Mal desabafar um segredo miúdo.

E assim quase mudo,
O silêncio seca o rosto 
Com as costas da mão.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ferrovias

Saída da Estação Ferroviária de Campinas 1970, trem de passageiros indo sentido Bauru-SP


O trem apita e eu alerta.
Os trilhos ganham força, te deixam passar.
Um vagão de cada vez para que se chegue sem nos machucar
Sente-se na cabine ao meu lado e vagueie para onde quer que esteja.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Resquício







A mão cria traços
Cortados até depois da pele,
Apertando carícias,
Por entre todos os laços.

Os fios desatinados
Olham sorrindo,
Cavam dificuldades
Até bem antes de cada dúvida.

E os próprios corpos,
Se obrigam.
Concentram-se entre si.
Caminham só por si.


Cordeirópolis; 18 de abril de 2011.

sábado, 16 de abril de 2011

Agora, Química

Aqui, também se calcula
No entanto, Sr Taranto
Intrigante é a mistura
Que de vez enquando
Faz-se até de cura.


Loucura mais sanidade
Por exemplo
Acham bom exemplo?
Eu não.
Perca de tempo.


Loucura com outra
Tamanha quantidade
De estrutura
Nos tira de uma...
Aquela sem cabimento.
A secura.


Cordeirópolis; 15 de abril de 2011