domingo, 12 de setembro de 2010

Carmelita



 No dia zero de janeiro do ano zero. Carmelita se maquiava: o tilintar dos olhos em preto a boca e o nariz vermelhos e uma colcheia na bochecha.
Equilibrar a atenção do publico exige muito capricho. Mais ainda quando se trata de fascinar olhos grandiosos como o dos pequenos.
Em cada coxia que passa deixa um pedaço de lembrança que escorria junto com uma lágrima intrometida.

Quando pequena seus olhos eram apagados não tinham recursos para uma só lanterna pra fingir de refletor, sua mãe tentava com velas e músicas, mas o homem bravo apagava e mandava ir dormir. Ele cheira a algo forte, nunca vai dormir e a pequena os ruídos tinha que ouvir.

As pequenas gargalham e aplaudem, todos os pedaços da lona: bolinhas, claves, pernas enormes... Parecem criar vida própria. Depois de plantado o “malabavírus” os palhaços, cansados, casados, quase destroçados se limpam, se vestem, se penteiam, se calçam e voltam para onde o Bom Dia é utopia, pois quem garantiria que vivo estaria, será por isso que ninguém se revoltaria diante da montaria? Carmelita não sabia.

O casamento atropelado, atormentado quando ainda nem maduro foi duro. O homem bravo e a mocinha, sabiam de palavras afiadas, trepadas refinadas e um amor de apunhaladas. A fita vermelha envolve-lhes o pescoço e quando o rosto já colado, corpo exprimido e o veneno escorrido a tesoura os separava com apenas uma navalhada.

A tesoura sabia que a moça não era amada e resolveu que ali não era mais sua morada, agora namorada.

Carmelita tenta a fita cortada como marreca dali pra frente, e percebeu que os anos de sua vida não haviam iniciado novamente, pois apenas mudara a intensidade da chuva de aplausos.

Tira a fita de marreca que passa a ser tecido, tecera-se da vara presa pelo maquinário. Bravo

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