segunda-feira, 11 de abril de 2011

Depois do Pássaro


O pássaro que descobriu a mais divina das melodias, mas que como consequência, emudeceu.


A flauta tentou mas suas chaves colaram.


O sax soprando quase rápido também ficou calado.


A clarineta teve seu escassos buracos obstruídos.


O violino suas cordas arrebentadas.


O pandeiro, coitado, caiu de lado.


A voz se escondeu. Falou que vinha e não apareceu.


A vitrola ficou sem trabalho.


Sambista só os bugalhos.


O lápis ficou estático.


O violão percebeu. Bebeu. Cresceu. E foi o único que virou referência e não se arrependeu.

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