quinta-feira, 14 de abril de 2011

Releitura


A moça sentada no quarto dos fundos permitia a entrada dos violinos às palavras lidas. Trocou a leitura pela escrita assim que a fumaça da ultima tragada lhe queima  fazendo arder quase que por um bom tempo os olhos serrados.
A música termina e antes disso o gato que pulara no tanque bebe, fazendo vontade, a água que sobrou de mãos lavadas mais cedo...

Perto dos Olhos

Calcula-se a distância
Não sei pra que!
Talvez para senti-la
Ou para expressa-la.

Este espaço determinado
Por números ou linhas
No meu rosto
Demarcam córregos.

No final
Essa gigantesca equação
Desagua em mar
Sobre minhas mãos.

Cordeirópolis; 13 de Abril de 2011.

Obs: Escrito na aula de física. rsrs..

Seu Moço


   Desde as mãos até tais ouvidos,
Com caixa de fósforos,
Ou mesmo ruídos.

Falando com charme,
E um trago afinado
Cantar também vale.

Um barulho com as cordas,
Chocalho a vontade
Contando com a chuva
Quem samba é a saudade.

Mas esse moço mirrado
Com o salário apertado
E batuque de lado, calado.
Assim, quase afiado.

Fala seu moço.
Toca pelos dedos!
Marca com teus medos.
Mostra-me seu enredo.

Cordeirópolis; 27 de dezembro de 2010

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Beleza de Manhã


"Primeiramente o sorriso. Fazer música com o corpo, ele e outros poucos. Um café bem forte. Rostos inchados, sereno do Ranncho Nativo. Aquela beleza de manhã diz-se até de elogio. Acabou. Não escrevo mais passos, agora, só palavras." Ata de 1932 - Cavalcanti, Emilly

Garoto Torto


Meu garoto é canhoto
Em sua fala é todo solto
Mas se lhe dão fala é todo torto.
E ainda sim, garanto, tudo isso é de meu gosto

Quem Está do Lado


Pamela
Até cozinha
E é judia.
Ei, ela não judia.

Faz a Emília
Que enrrabixa
telefonema e justiça
Tudo sem preguiça.

Ao Brasil ainda não aplaudiu.
Fala, canta e pergunta quem ouviu.
E agora aqui do lado,
fez leitura e dormiu.

Na assembléia em lágrimas diluiu .
Quem não viu?

Rogério "Acróstico para o cara da luz"


R asga, corta, cola, na sola, controla a cachola.
O pera na ópera, operário.
G rande no escuro.
É o cara da ilustração.
R abisca um efeito no contexto,
I ndica a iluminação.
O briga a aparição.

Depois do Pássaro


O pássaro que descobriu a mais divina das melodias, mas que como consequência, emudeceu.


A flauta tentou mas suas chaves colaram.


O sax soprando quase rápido também ficou calado.


A clarineta teve seu escassos buracos obstruídos.


O violino suas cordas arrebentadas.


O pandeiro, coitado, caiu de lado.


A voz se escondeu. Falou que vinha e não apareceu.


A vitrola ficou sem trabalho.


Sambista só os bugalhos.


O lápis ficou estático.


O violão percebeu. Bebeu. Cresceu. E foi o único que virou referência e não se arrependeu.

“Empresta-me Teus olhos Que é Minha Inspiração...”


Pedaço de concreto na mão
Escreveu no chão
Com medo de ser em vão.

Acho que ninguém viu!
A janela minha mãe abriu
E acredite, sorriu.

Vou acorda-la!
Emilly, aqui ninguém escuta essa música.
Levanta!

São 4h.30min da manhã?
Quem sabe amanhã!

Vai dar um jeito no Hugo!
Que sujeito surdo.
Deixe o rádio mudo.
Que absurdo.

Fez que fez
Abrimos a porta
E o Dedé disse “Era uma vez...”

E agora é minha vez
Disse de uma vez
Que apenas uma vez
Se refez.
Café talvez.
Minhas mãe o fez.
Que freguês!
Queria pão francês.

Espero que tenham gostado
Da minha meia serenata
Eu assustada e ela tocada.
Com nada
Nem viola nem cantor
Só o meu tremor.

Dueto Para Flauta e Sax




Driblando as chaves como quem caminha de nota em nota, de tom em tom, crescente ou decrescente, ainda no batente, mesmo que contente soma tudo bem carente.


Solfejo um dó. No semblante da denúncia


Sua soando em alto e em escandaloso som. Agora todas as chaves e depois nenhuma. Aperta a primeira e depois de tempos a ultima. Dois dedos apóiam e os outros se divertem, mas ficam com a obrigação de decorar inúmeras seqüências diversificadas para cada linha ou compasso.


Sereno é o mi! Minha falência em tua ausência.


O vento escorrega, inclina-se e é cuspido pra fora, na senhora com a sacola. Que SENHORA! Ou diria Senhorita?


Só vejo um dó. No cadaver da denúncia.


Arrisca-se em lá, si e mi. Ou, como diriam, lá em cima. Pra quem escuta pela fresta, que gosta ou desgosta e não confessa. Toco um ré e ele atravessa sem pressa, mas se acerta.


Chovendo em fá. Mal vejo a tal renúncia.


Aperta a palheta na parte particular, peculiar da ponta do lábio.


Sofrendo a dó. Descrevo a tal minúcia.


Não era dueto? Pulei alguém?


Não escritora. Desculpe-me. Eu mesma levantei, aspirei o tremor, rompi o que chamara de peculiar e enquanto escrevia voltei rápida pro meu lugar, que cadeira não havia. Sua cara se mexia quase sem pensar, o tempo exato pro suspiro de alívio pelo o que não vira.