terça-feira, 26 de abril de 2011

Expoflora

Jardim em frente ao camarim da Expoflora - Holambra

O cheiro das mãos,
O estrago nos róstos.
A lembrança em cada detalhe.

Um emaranhado de cada sabor,
Que é devolvido à cada primavera,
Escondido à cada uma das outras estações.

O duro é saber o cheiro e o gesto,
Ninguém lembra dos mesmos.
E lá, nem de si mesmo.

Talvez, estes, sejam os dezenove.
Dias mais cheirosos do ano.

Cordeirópolis; 07 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

Pedaço de Pão

Van Gogh


As solas se arrastam cansadas
Olha, que áspero.
Sente, que vespeiro.


Canta, chuva!
Chove, menina!
Se esconde, sapato!.


Nem estende a mão, 
Endereço amargo. 
O carteiro olha silenciado.

BOLOR

Van Gogh



Minhas mãos se sujam,
Ainda do que escorre 
Por rostos quebrados.


Pedaços de unhas
São lascados
Pelo tamanho do desapego.


Cada pedacinho deste olho
Escorre salivado
Por teu cheiro, amor.


Se não os meus pedaços 
Por vezes.
E ainda meus olhos.




Cordeirópolis; 24 de abril de 2011.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

No Braço do Sofá



Seis Horas da Tarde.
Ficar sem falar nada.
Nem dar uma palavrinha.
Mal desabafar um segredo miúdo.

E assim quase mudo,
O silêncio seca o rosto 
Com as costas da mão.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ferrovias

Saída da Estação Ferroviária de Campinas 1970, trem de passageiros indo sentido Bauru-SP


O trem apita e eu alerta.
Os trilhos ganham força, te deixam passar.
Um vagão de cada vez para que se chegue sem nos machucar
Sente-se na cabine ao meu lado e vagueie para onde quer que esteja.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Resquício







A mão cria traços
Cortados até depois da pele,
Apertando carícias,
Por entre todos os laços.

Os fios desatinados
Olham sorrindo,
Cavam dificuldades
Até bem antes de cada dúvida.

E os próprios corpos,
Se obrigam.
Concentram-se entre si.
Caminham só por si.


Cordeirópolis; 18 de abril de 2011.

sábado, 16 de abril de 2011

Agora, Química

Aqui, também se calcula
No entanto, Sr Taranto
Intrigante é a mistura
Que de vez enquando
Faz-se até de cura.


Loucura mais sanidade
Por exemplo
Acham bom exemplo?
Eu não.
Perca de tempo.


Loucura com outra
Tamanha quantidade
De estrutura
Nos tira de uma...
Aquela sem cabimento.
A secura.


Cordeirópolis; 15 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Releitura


A moça sentada no quarto dos fundos permitia a entrada dos violinos às palavras lidas. Trocou a leitura pela escrita assim que a fumaça da ultima tragada lhe queima  fazendo arder quase que por um bom tempo os olhos serrados.
A música termina e antes disso o gato que pulara no tanque bebe, fazendo vontade, a água que sobrou de mãos lavadas mais cedo...

Perto dos Olhos

Calcula-se a distância
Não sei pra que!
Talvez para senti-la
Ou para expressa-la.

Este espaço determinado
Por números ou linhas
No meu rosto
Demarcam córregos.

No final
Essa gigantesca equação
Desagua em mar
Sobre minhas mãos.

Cordeirópolis; 13 de Abril de 2011.

Obs: Escrito na aula de física. rsrs..

Seu Moço


   Desde as mãos até tais ouvidos,
Com caixa de fósforos,
Ou mesmo ruídos.

Falando com charme,
E um trago afinado
Cantar também vale.

Um barulho com as cordas,
Chocalho a vontade
Contando com a chuva
Quem samba é a saudade.

Mas esse moço mirrado
Com o salário apertado
E batuque de lado, calado.
Assim, quase afiado.

Fala seu moço.
Toca pelos dedos!
Marca com teus medos.
Mostra-me seu enredo.

Cordeirópolis; 27 de dezembro de 2010

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Beleza de Manhã


"Primeiramente o sorriso. Fazer música com o corpo, ele e outros poucos. Um café bem forte. Rostos inchados, sereno do Ranncho Nativo. Aquela beleza de manhã diz-se até de elogio. Acabou. Não escrevo mais passos, agora, só palavras." Ata de 1932 - Cavalcanti, Emilly

Garoto Torto


Meu garoto é canhoto
Em sua fala é todo solto
Mas se lhe dão fala é todo torto.
E ainda sim, garanto, tudo isso é de meu gosto

Quem Está do Lado


Pamela
Até cozinha
E é judia.
Ei, ela não judia.

Faz a Emília
Que enrrabixa
telefonema e justiça
Tudo sem preguiça.

Ao Brasil ainda não aplaudiu.
Fala, canta e pergunta quem ouviu.
E agora aqui do lado,
fez leitura e dormiu.

Na assembléia em lágrimas diluiu .
Quem não viu?

Rogério "Acróstico para o cara da luz"


R asga, corta, cola, na sola, controla a cachola.
O pera na ópera, operário.
G rande no escuro.
É o cara da ilustração.
R abisca um efeito no contexto,
I ndica a iluminação.
O briga a aparição.

Depois do Pássaro


O pássaro que descobriu a mais divina das melodias, mas que como consequência, emudeceu.


A flauta tentou mas suas chaves colaram.


O sax soprando quase rápido também ficou calado.


A clarineta teve seu escassos buracos obstruídos.


O violino suas cordas arrebentadas.


O pandeiro, coitado, caiu de lado.


A voz se escondeu. Falou que vinha e não apareceu.


A vitrola ficou sem trabalho.


Sambista só os bugalhos.


O lápis ficou estático.


O violão percebeu. Bebeu. Cresceu. E foi o único que virou referência e não se arrependeu.

“Empresta-me Teus olhos Que é Minha Inspiração...”


Pedaço de concreto na mão
Escreveu no chão
Com medo de ser em vão.

Acho que ninguém viu!
A janela minha mãe abriu
E acredite, sorriu.

Vou acorda-la!
Emilly, aqui ninguém escuta essa música.
Levanta!

São 4h.30min da manhã?
Quem sabe amanhã!

Vai dar um jeito no Hugo!
Que sujeito surdo.
Deixe o rádio mudo.
Que absurdo.

Fez que fez
Abrimos a porta
E o Dedé disse “Era uma vez...”

E agora é minha vez
Disse de uma vez
Que apenas uma vez
Se refez.
Café talvez.
Minhas mãe o fez.
Que freguês!
Queria pão francês.

Espero que tenham gostado
Da minha meia serenata
Eu assustada e ela tocada.
Com nada
Nem viola nem cantor
Só o meu tremor.

Dueto Para Flauta e Sax




Driblando as chaves como quem caminha de nota em nota, de tom em tom, crescente ou decrescente, ainda no batente, mesmo que contente soma tudo bem carente.


Solfejo um dó. No semblante da denúncia


Sua soando em alto e em escandaloso som. Agora todas as chaves e depois nenhuma. Aperta a primeira e depois de tempos a ultima. Dois dedos apóiam e os outros se divertem, mas ficam com a obrigação de decorar inúmeras seqüências diversificadas para cada linha ou compasso.


Sereno é o mi! Minha falência em tua ausência.


O vento escorrega, inclina-se e é cuspido pra fora, na senhora com a sacola. Que SENHORA! Ou diria Senhorita?


Só vejo um dó. No cadaver da denúncia.


Arrisca-se em lá, si e mi. Ou, como diriam, lá em cima. Pra quem escuta pela fresta, que gosta ou desgosta e não confessa. Toco um ré e ele atravessa sem pressa, mas se acerta.


Chovendo em fá. Mal vejo a tal renúncia.


Aperta a palheta na parte particular, peculiar da ponta do lábio.


Sofrendo a dó. Descrevo a tal minúcia.


Não era dueto? Pulei alguém?


Não escritora. Desculpe-me. Eu mesma levantei, aspirei o tremor, rompi o que chamara de peculiar e enquanto escrevia voltei rápida pro meu lugar, que cadeira não havia. Sua cara se mexia quase sem pensar, o tempo exato pro suspiro de alívio pelo o que não vira.

"Semblante da Visita"


Antes do café, a moça, distraída como é, visitara a tia. Lá, num balcão perto do armário das louças, no meio da conversa, percebera penas saídas do recipiente. Nada dissera a parenta, pois sabia “não se mexe nos brios em casa alheia”.
Assim que as cordialidades terminaram e o rosto já não mais tão bem esticado e sincero de sua tia voltou à cozinha para terminar o almoço - momento de alívio e remetente ao passado que permitia a entrada dos sobrinhos sem bater na porta, a hora que fosse - deixou-a, ressabiada, abrir o armário do balcão.
Pássaros de olhos fechados e enfileirados, cores frias, muitos deles. O personagem que se abaixou na frente das portas brancas e gastas não conseguia levantar. De supetão fecha o que abriu e senta na cadeira coberta pela mesa da copa.
Sua tia grita ao fundo:
-Fica pro almoço hoje, Marieta?
Com os olhos suplica à toalha estendida em sua frente que criasse vida e fosse até o seu rosto para sufocá-la, não respondendo o grito. O barulho de chinelos se arrastando trazem sua tia de volta até a sala. O tempo pelo barulho se arrastando é o suficiente para que a moça se levante para fingir a vontade de um copo d’ água.
Em meio corpo na porta do corredor, um aspecto cansado repete a pergunta que se satisfaz com um “sim” cortado, quase já ouvido automaticamente pela rotina, que sufoca quem a percebe.
Marieta engasga e pede que a tia volte.
- Espere um minuto, por favor.
Rose como chamava a tia desde pequena, percebe no semblante da visita uma descoberta sombria, leva os olhos a porta que perto dos seus pés está mal fechada e com o puxador quebrado meio de lado. Senta na cadeira que já estava fora do lugar.
Marieta amassa um pedaço de pão que está na pia sem olhar pra ele, contendo as retinas na mulher da mesa. Uma lágrima escorre rápida do olho da figura velha, da tia, dos olhos dela ou ainda da cavidade que sobrara em seu rosto.
A campainha toca. Toca. Toca a fundo a situação, quebrando tudo que estava pronto pra ser dito e nem ao menos se citava.
Entra um senhor caquético coberto por um tecido longo e preto que trazia grande segurança a tia estremecida.
Outro café é servido, desta vez na cozinha, o senhor que entrou por ultimo sentiu mais depressa caindo da cadeira num susto, a mulher adormecera num banco perto do forno a lenha, talvez pra não perceber a chegada. A moça corria se debatendo pelas portas e móveis até chegar à saída que a deixa correr mais e pelas ruas.
Um rapaz a levanta de um tombo. Os olhos dele encontram os dela que se fecham atribuindo peso morto ao corpo caído envolto pelos braços do jovem.

"Artísta Nem Pisca Pra Ter-te A Vista"


Sendo cirurgiã sugiro sempre risos, que assopram os suspiros.


Num relato de ser médico, este coitado, contou-me do descaso e de seu cansaço:
Um arrependimento, que precisa de espaço!
Não meu de ouvi-lo e sim o dele de ter existido.


Na profissão somos parecidos!


Salvamos vidas…


Ele capricha na cicatriz e eu as deixo por um triz;
Ele faz o diagnóstico e eu digo o dia que estávamos nós e o Tico;
Ele quer três dias de repouso e é assim que eu venho e pouso;
Ele diz que você pode morrer daqui duas horas ou daqui três anos e eu…
Eu suplico uma gargalhada gostosa, que foi esquecida há alguns anos.


Na descrição final fomos divididos !


Salvamo-nos despercebidos…




Hoje pude me remediar do orgulho que senti ao me dar conta
De que pago as contas, mas disso não faço conta.
No entanto no meio do caminho ele me apronta
E diz que seu salário é uma afronta.




Festejaremos, pois burocraticamente fomos aceitos!


Nossos diplomas não podem ser esquecidos…


Você medicina e eu Edufina.

Minha boa Noite.

 Cartola, meu bom menino.
Foi bom esta noite estar com você.
Se pudesse eu mesma gritaria:
 _" Não o leve, pois me contou que do samba e poesia sem rodeios a tua cria se arrelia e vira cantoria".

Reminiscências: É

Reminiscências: É

É,


Essa esquisitice
Que chamam de amor
Na verdade é uma resposta
Do silêncio
Que cada um da a tua alegria
Depois de muito tempo
Sem alimenta-la.

Cordeirópolis 07 de abril de 2011

Bilhete

 Peço ainda que não saiam,
Ficaremos de mãos dadas.
Por toda noite é possível me arriscar,
Pois cantando-lhes meninas,
Acalmo toda essa cidade pragrimática.

Seca


Tem veis que a fome
De tão grande e doída
Raspa o estômago
Até a finura da pele.

As veis anda sozinha
Te comi os resto das lembrança
E te afoga na secura
Das lágrima a canta.

Tem veis que pára
E se arresolve dormi
Esquece...
Num vorta nem pra nos abri o zóio.

Cordeirópolis; 10 de Abril de 2011.